Produtores rurais repudiam prisão de fazendeiros de Caarapó

Produtores rurais reunidos na noite de terça-feira no Sindicato Rural de Dourados (Foto: Marcos Santos) Produtores rurais reunidos na noite de terça-feira no Sindicato Rural de Dourados (Foto: Marcos Santos)

Presidentes de sindicatos rurais de oito municípios se reuniram na noite desta terça-feira com mais de 350 produtores em ato contra a prisão dos produtores rurais de Caarapó, após o Supremo Tribunal Federal (STF) revogar a liminar que permitia a eles responder em liberdade as acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) após conflito, em agosto do ano passado, em Caarapó. O ato, que aconteceu no auditório do Parque de Exposições João Humberto de Andrade Carvalho, reuniu os presidentes do Sindicato Rural de Dourados, Rio Brilhante, Antônio João, Ponta Porã, Douradina, Ivinhema, além de lideranças da Federação da Agricultura e Pecuária do MS e da Aprosoja MS.

O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Lúcio Damália, foi enfático ao afirmar que todo setor está indignado com as prisões dos produtores Nelson Buanain Filho, Jesus Camacho, Virgílio Mettifogo, Dionei Guedin e Eduardo Yoshio Tomanaga. "Vivemos um momento delicado, de insegurança jurídica, de violação de direitos, de abuso de autoridade por parte daqueles que deveriam justamente defender o bom emprego da lei", desabafou Damália.

Ele ressaltou que o setor produtivo rural vive um momento de instabilidade no campo, onde, para algumas autoridades, produzir parece ser crime. "Vivemos um momento onde gerar emprego e renda parece ser o errado e onde garantir as riquezas que mantêm essa nação em pé não encontra respaldo nas autoridades constituídas", reclamou. "Em qualquer nação do planeta o produtor rural é tratado com respeito, com admiração e com segurança jurídica, mas a sensação é que no Brasil a lei deixou de servir para todos, para servir de proteção para apenas alguns indivíduos", completou Damália.

Ele ressaltou que o repúdio à prisão dos produtores não significa defesa da impunidade, mas do devido processo legal. "Não defendo a violação dos direitos de ninguém, nem de indígena, nem de quilombola, nem de sem-terra, da mesma forma que não posso aceitar que nossos direitos de produtores rurais sejam violados em nome de uma causa que não é nossa", argumentou.

A atuação de organismos que deveriam atuar como fiscais da lei também recebeu críticas do presidente do Sindicato Rural de Dourados. "Estamos vivendo hoje no Brasil uma espécie de espetacularização da acusação, onde algumas autoridades preferem primeiro macular a vida das pessoas, privá-las de liberdade, acabar com sua honra e história para somente depois provar o alegado", desabafou Damália. "Numa sociedade onde a prisão tem sido exceção, onde grande parte dos criminosos está em liberdade, onde grande parte dos políticos não rouba apenas esperança, mas os próprios valores da nação, parte do Poder público prefere violar direitos mantendo encarceradas pessoas que ainda não passaram pelo crivo da ampla defesa e do contraditório", completou.

O líder ruralista deixou claro que o ato não era para fazer a defesa dos produtores, de Caarapó, pois suas defesas já estão sendo bem feitas por seus advogados. "Estamos aqui para chamar a atenção do poder público, do Judiciário, enfim, de toda a sociedade, que no Brasil existe lei, e a lei deve ser cumprida por todos, sobretudo por aqueles que têm o dever legal de aplicá-la", argumentou.

Ele encerrou falando diretamente aos produtores. "Tenham força para resistir a toda esta batalha que estão enfrentando e tenham fé que ao final a verdade prevalecerá", afirmou. "Somos contra as suas prisões, pois estas ferem a presunção de inocência e o devido processo legal, garantias constitucionais a todas as pessoas no Brasil", finalizou.

REGIÃO A presidente do Sindicato Rural de Antônio João, Rosely Ruiz, cobrou união dos produtores em defesa dos direitos daqueles que plantam e criam. "Tenho 60 anos e há 20 convivo com invasão na minha propriedade, mas quero ressaltar que precisamos unir forças para fazer valer o direito que nos é violado por um Ministério Público Federal que nunca investiga as denúncias contras as ONGs que levamos até eles", desabafou.

Ela defende que somente com união dos setores organizados será possível reverter a violação dos direitos dos produtores. "O que nos diferencia de um procurador da República é o cargo que ele ocupa, de forma que os mesmos direitos que ele tem como cidadão, nós também temos", enfatizou.

O presidente do Sindicato Rural de Rio Brilhante, Luciano Cargnin Manfig, também cobrou união dos produtores em defesa do direito de propriedade e dos direitos civis. "Não podemos considerar como normal o que está ocorrendo com os produtores de Caarapó e estamos aqui trazendo toda nossa solidariedade às famílias desses trabalhadores", ressaltou.

O presidente do Sindicato Rural de Amambai, Ronan Nunes, defendeu que os produtores iniciem uma ampla campanha em parceria com a Famasul para mostrar à sociedade as violações que estão sofrendo. "Estamos falando para nós mesmos aquilo que já sabemos que passamos, mas precisamos revelar para a sociedade todo tipo de abuso que sofremos por parte das autoridades", desabafou.